“Pois nem a
circuncisão nem a incircuncisão é alguma coisa, mas sim o ser uma nova criatura”.
Gálatas 6:15
No Antigo Testamento [Antiga Aliança] a circuncisão [Cerimônia religiosa em que é cortada a pele, chamada prepúcio, que cobre a ponta do órgão sexual masculino. Os israelitas eram circuncidados ao oitavo dia, conforme a aliança que Deus havia feito com Seu povo.] deveria ser cumprida por todo aquele que fazia parte do povo de Israel, seja natural ou estrangeiro. A circuncisão era um ato físico que representava a separação daquele povo ao Senhor – um pacto, uma aliança [Esta aliança fora estabelecida por Deus a Abraão (Ver Gn 17:9-14).]. Ao longo de toda narrativa do Antigo Testamento a ordenança da circuncisão foi cumprida pelo povo judeu, e nos dias de Jesus e dos apóstolos observamos que os religiosos da época defendiam essa prática e queriam que os novos convertidos ao Evangelho se submetessem a esse procedimento. Todavia, o apóstolo Paulo bateu de frente com essa ideia errônea. Ao escrever às igrejas da Galácia, Paulo exorta: “Pois nem a circuncisão nem a incircuncisão é alguma coisa, mas sim o ser uma nova criatura” (Gl 6:15). A circuncisão estabelecida nos dias de Abraão era apenas uma sombra para a verdadeira circuncisão – a primeira, era realizada na carne, a segunda, no coração [A palavra “coração” na Bíblia refere-se à “mente do homem”, onde ele exerce sua capacidade de escolha (livre-arbítrio).] do homem. Os fariseus e religiosos tinham dificuldade de entender este conceito.
No livro de Deuteronômio vemos claramente que a verdadeira circuncisão é aquela que de fato ocorre no coração do homem; este é o desejo do Senhor:
“Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração e não mais endureçais a vossa cerviz [Dura cerviz: expressão utilizada para definir um coração endurecido (Ver Dt 9:13).]” (Dt 10:16).
Este é o verdadeiro conceito da circuncisão no Novo Testamento. Na prática ele pode ser resumido na expressão “ser uma nova criatura”, ou seja, nos despojarmos de todo o velho procedimento, das concupiscências da carne e de tudo aquilo que nos afasta da vontade de Deus e nos revestirmos do novo homem (Ver Ef 4:22-24), que nasce aos pés da cruz – “Pelo que, se alguém está em Cristo nova criatura é; as coisas velhas se passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Co 5:17). Não devemos endurecer o nosso coração, mas permitir que ele seja moldado pelo Senhor e transformado pela Sua Palavra: “Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma; atá-las-eis por sinal na vossa mão, e elas vos serão por frontais entre os vossos olhos” (Dt 11:18). Neste versículo encontramos dois aspectos práticos da vida cristã: (i) a obediência (atá-las-eis por sinal na vossa mão) e (ii) a renovação da nossa mente (e elas vos serão por frontais entre os vossos olhos). Estes dois pontos também encontramos em Rm 12:1-2, onde somos exortados a prestarmos um culto racional a Deus (através de uma vida de santidade e de obediência) e renovarmos a nossa mente com a Sua Palavra, para que possamos experimentar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
Após ouvirmos e conhecermos os princípios de Deus devemos cumpri-los (Ver Tg 1:22). Eis um resumo precioso dos mandamentos do Senhor: “Amarás, pois, ao Senhor, teu Deus, e guardarás as Suas ordenanças, os Seus estatutos, os Seus preceitos e os Seus mandamentos, por todos os dias” (Dt 11:1). Se diligentemente observarmos a Palavra do Senhor nós seremos fortalecidos e herdaremos Suas promessas (Dt 11:8); nossos dias serão prolongados (Dt 11:9); receberemos a chuva temporã e a serôdia (Dt 11:14); a terra será produtiva (Dt 11:15) e nossa descendência se multiplicará (Dt 11:21). Tudo que Deus nos ensina na Sua Palavra é para o nosso próprio bem (Ver Dt 10:13) e somente um novo coração é capaz de permanecer do caminho da vida. Nosso coração de pedra, endurecido pelo pecado necessita ser circuncidado. Clamemos então ao Senhor: “Dá-me um novo coração, ó Deus; um coração obediente, que Te ame acima de tudo e que seja zeloso por Sua Palavra”. Se assim clamarmos com sinceridade temos a promessa de que Deus nos dará este novo coração (um coração sensível):
“E lhes darei um só coração, e porei dentro deles um novo espírito; e tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne, para que andem nos meus estatutos, e guardem as minhas ordenanças, e as cumpram; e eles serão o meu povo, e Eu serei o seu Deus” (Ez 11:19-20).
Aprendemos então que a verdadeira circuncisão é aquela que acontece no nosso coração e que somente o poder de Deus pode transformar os corações endurecidos em corações saudáveis; corações puros, limpos e que O busquem em todo o tempo. O passado deve ser deixado para que a novidade do Evangelho de Jesus produza resultados notórios em nossas vidas. O Evangelho tem o poder de nos tornar novas criaturas:
“as coisas velhas se passaram;
eis que tudo se fez novo”.
Amém!
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