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Devocional para meditação (Nº 75)

Quero trazer à memória o que me pode dar esperança”. Lamentações 3:21

Ah! As nossas lembranças; elas podem ser como um muro de lamentações ou como uma fonte de esperança – isso vai depender da maneira que lidamos com as memórias do passado. Neste dia meditaremos um pouco sobre como fazer da nossa memória uma aliada da esperança. Começaremos falando do profeta Jeremias: ele acompanhou de perto a destruição total de Jerusalém pelos babilônicos; ele havia tentado de várias formas levar o povo de Judá a se arrepender de seus pecados para que tamanha destruição não caísse sobre eles, mas tudo foi em vão. Em 605 a.C. Jerusalém é cercada e em 586 a.C. ela é reduzida a pó, cinzas e escombros. Neste cenário caótico Jeremias faz uma sucessão de lamentações; sua mente é tomada pelo desespero, ele expressa sua dor nos primeiros capítulos do livro de Lamentações: “Eu sou o homem que viu a aflição causada pela vara de Seu furor” (Lm 3:1); “Digo, pois, já pereceu a minha força, como também a minha esperança no Senhor” (Lm 3:18). Ele chega ao fundo do poço da alma. Davi também passou por estes “poços” escuros: Saul o caçava insistentemente e por isso ele vivia em buracos e cavernas para preservar sua vida. Diante de memórias perturbadoras “Disse Davi no seu coração: Ora, perecerei algum dia pela mão de Saul” (1 Sm 27:1). Em ambos os casos notamos como suas lembranças foram daninhas ao coração, trazendo dor, medo, opressão, depressão e desespero. Mas estas histórias não acabaram assim; mesmo naquele cenário devastador Jeremias direciona seus olhos e sua mente para o Senhor: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança” (Lm 3:21). Também o rei Davi encontrou esperança em suas lutas mais profundas. Vários Salmos nos mostram que em meio ao caos Davi recordava de seu passado, de como Deus o livrara de Golias, de seus inimigos e de situações embaraçosas. Ao direcionar sua mente aos grandes feitos do Senhor ele podia declarar: “pois Tu tens sido o meu auxílio, de júbilo canto à sombra das Tuas asas” (Sl 63:7); “Eis que Deus é o meu ajudador; o Senhor é quem sustenta a minha vida” (Sl 54:4).

Completaremos essa meditação acrescentando algumas considerações interessantes que homens de Deus escreveram com relação ao exercício construtivo de nossos pensamentos.

Porque Tu tens sido o meu auxílio”. A meditação lhe refrescara a memória e lhe fizera lembrar-se das libertações do passado. Seria bom se lêssemos mais vezes os nossos diários, observando especialmente a mão do Senhor quando nos ajudou nos sofrimentos, nas necessidades, labutas ou apuros. Este é excelente uso da memória: abastecer-nos de provas da fidelidade do Senhor e levar-nos progressivamente a uma confiança cada vez maior nEle [Comentários de C. H. Spurgeon do Sl 63:7 – Os Tesouros de Davi, Vol. 2, CPAD, Rio de Janeiro, 2020.].

O meu auxílio”. Há mais encorajamento na menor bênção dada a nós do que a maior bênção dada a um estranho. Por conta disso, afirmamos com absoluta certeza que uma biblioteca de livros biográficos e de livros relativos exclusivamente aos justos não contribui para a segurança dos crentes tanto quanto os documentos que a própria memória fornece para eles. Devemos, então, nos dedicar ao estudo dessas memórias, quer sejam ricas ou pobres. Façamos o mesmo que Davi fez. Indubitavelmente, ele conhecia muito bem das histórias de Noé, Abraão, Jacó, José, Moisés. Os registros destes eminentes servos de Deus são registros de livramentos surpreendentes, de promessas Divinas cumpridas e de necessidades humanas satisfeitas. Não obstante, quanto estava no deserto, Davi não recorreu a estes registros em busca de encorajamento. A sua exclamação foi: “Porque Tu tens sido o meu auxílio; jubiloso cantarei refugiado à sombra das Tuas asas” (Sl 63:7) [Henry Melvill, 1798-1871.].

O modo mais seguro e mais íntimo de nos mantermos fiéis a Deus é considerar o que Ele já fez por nós [Abraham Wright].

Nestas declarações somos levados a uma melhor compreensão das palavras de Jeremias: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança”.

Um muro de lamentações ou uma fonte esperança: assim podemos definir nossa memória. O que vai distinguir uma função da outra é a nossa perspectiva dos fatos que recordamos. Contemplaremos só as perdas, fracassos e derrotas? Ou daremos espaço para os milagres, livramentos e providências Divinas? “Talvez você se sinta frustrado com o progresso [espiritual] aparentemente lento que está fazendo”, comenta Rick Warren [Livro: Uma vida com propósitos (Rick Warren).]; e ele acrescenta: “Lembre-se de quanto você já passou, não de quanto terá de passar. Você não está onde deseja estar, mas também não está onde costumava estar”. Em resumo, lembre-se daquilo que te traz esperança, não a derrota. Que sigamos o exemplo de Davi e Jeremias, que olhemos para as promessas de Deus, crendo que Ele está nos conduzindo a um futuro glorioso.

Pois Eu bem sei os planos que estou projetando para vós, diz o Senhor; planos de paz e não de mal, para vos dar um futuro e uma esperança” (Jr 29:11).

Exercite sua mente nas promessas de Deus; que a Sua Palavra ocupe seus pensamentos; faça de sua memória uma aliada da esperança. Amém!

by Jesus, W.

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